Jane vivia sua vida tranquilamente no período jurássico, um dinossauro jovem e energética, herbívora e apaixonada pela vida. Se pudéssemos ver Jane a distancia, seria como ver uma longa ponte a distância, com seus 35 metros de comprimento onde 15 são apenas de sua cauda, além de seus quase 8 metros de altura.
Mesmo com uma aparência intimidadora, Jane era amigável com qualquer um que retribuísse e também tinha uma paixão na vida, a culinária. Mais especificamente experimentar diferentes folhas e ervas em busca de novos sabores e sensações.
Seus amigos e familiares não compartilhavam dessa paixão de Jane, eles apenas comiam o que viam pela frente e nunca se preocupavam em procurar nada de novo ou diferente, apenas as mesmas plantas do dia a dia, e mesmo quando fosse alguma diferente, diziam não sentir diferença nenhuma. Porém Jane tinha uma paixão, uma motivação, algo que a levava de planta em planta em busca daquela eufória e adrenalina, daquela sensação de prazer e tranquilidade, aquela sensação de paz e de esperança.
Jane sempre liderava seu grupo, sejam eles familiares ou amigos, ela sempre ia na frente e não tinha medo, tinha uma coragem diferente de todos, uma vez chegou a enfrentar um Velociraptor, vencendo o embate e colocando o adversário para correr. Após esse combate sua coragem foi reconhecida e Jane chegou a ser uma figura lendária entre os dinossauros da época.
Jane realmente foi uma dinossauro diferente.
O tempo passou e Jane viveu uma bela vida, chegou a ver a grande bola de fogo chegar, sabia que aquele era o fim mas não se desesperou apenas observou e afirmou o fim, fez um desejo e fechou os olhos.
Depois que o fogo passou e a Terra se reconstruiu, pronta para dar espaço a novas vidas e novas histórias, Jane continuava lá, sua existência de alguma forma ainda estava lá, guardada naquele local.
Bilhões de anos se passaram e Jane observou enquanto tudo mudava e evoluia, parada e atônita, mas observou.
Um dia alguns arqueólogos encontraram Jane, mas não da forma comum como fóssil, mas sim como uma miniatura, uma pequena dinossauro observando tudo. Adotada por Roberto e colocada em uma estante como mais um de seus itens de colecionador, Jane continuou a observar e guardar cada detalhe das coisas que via, não eram muitas e por isso sempre sentia saudade da liberdade e da natureza.
Com passar do tempo a estante mudou de lugar, a própria Jane trocou de prateleira e chegou até ficar fora da estante por um periódo. Mas eventualmente Roberto não voltou para casa de noite e nem no dia seguinte, ou os dias que se sussederam. Pessoas chegaram e começaram a mexer nas coisas, separar, guardar, jogar fora… lembrar.
O clima era uma mistura de tristeza com nostalgia e saudade.
Jane acabou saindo da estante, ficou presa em uma caixa por algum tempo até acabar nas mãos de uma criança. Viu diversos brinquedos ali também, astronautas, piratas, bonecas, bonecos, carros, peças de todos os tipos. Eventualmente Jane saia da caixa e podia ver o lado de fora, era tão diferente do que ela lembrava, o ar era mais pesado, espesso, haviam poucas árvores e muitos prédios e até o céu já não era mais o mesmo azul, mas havia um momento em que tudo era quase como antes, durante a noite no campo onde o céu era como ela lembrava.
Luzes e cores por todos os lados, um brilho tão distante e tão próximo ao mesmo tempo. Jane sabia do que havia além daquelas meras luzes, da destruição que poderia acontecer a qualquer momento e como tudo ao redor é tão frágil a essa força. Se lembrava de quando viu o fogo no céu, uma claridade e calor que não sabia nem explicar, foi quando fechou os olhos e desejou apenas que tudo tivesse passado ao abrir os olhos.
Os momentos de ver o céu eram cada vez menos frequentes até que começaram a nem acontecer mais, e outra vez Jane estava encostada, largada e esquecida, no fundo de uma caixa sentido o pó a consumir.
Mais vezes voltou a sair, voltou a uma estante, a outras caixas e outros ambientes, outras pessoas, se lembrava de todas elas pois sempre prestava atenção a todos os detalhes. Jane acompanhou várias vidas e agora ela chegou a mim.
De uma forma tão especial e por uma pessoa igualmente especial, Jane ganhou um novo companheiro e também um novo propósito.
Como um chaveiro, agora ela é responsável por me ajudar a manter minhas chaves juntas e também a não esquecê-las. Juntos já vivemos novas experiencias e aprendemos juntos, criamos memorias e exploramos um mundo as vezes bem estranho, porém em conjunto podemos buscar o amor.
Em um momento especial, Jane chegou até mim na forma de um chaveiro, um presente entregue com amor e carinho. Agora ela está sempre comigo, me ajudando a lembrar da importância de explorar, aprender e criar memórias, assim como o amar e espalhar amor.