Acidente


Mesmo com a visão embaçada percebo pessoas ao redor, sinto cheiro de remédio e limpeza e ouço um constante barulho rítmico a cada segundo, minha cabeça doí assim como meu corpo, é difícil e doloroso tentar me mexer então apenas olho ao redor e fica claro que estou em um hospital porém não consigo lembrar o que aconteceu. Nesse meio tempo vejo alguém entrar no quarto, uma mulher de meia idade a qual me parece familiar ao se aproxima e reconheço minha mãe, ela estava com olhos vermelhos de tanto chorar, tento perguntar o que aconteceu mas a voz não sai e ela começa a chorar de novo. Acordei algum tempo depois e uma enfermeira me ajudava a beber água e remédios para dor de cabeça, me sentia como se tivesse com uma ressaca terrível e ainda não sabia como e se havia me machucado por isso tentei perguntar a enfermeira, ela me disse que estava fraco e desidratado portanto precisava descansar então tentei dormir novamente... Não consegui pois comecei a me lembrar o que tinha acontecido, na noite passada fui em uma festa e perdi o controle, bebi tudo o que via pela frente e certamente já era um incômodo para todos lá quando se ofereceram para me levar para casa, lembro que fui contra e carona e peguei meu caro, alguns amigos tentaram impedir mas acelerei para longe, depois disso só me lembro de ver ambulâncias e carros da polícia mas ainda uma dúvida ainda me restava, "eu havia me machucado Ou machucado alguém", convenientemente teria minha resposta muito em breve pois assim que acordei dois policias estavam conversando com minha mãe no quarto. Eu já me sentia melhor, fui algemado e ouvi minha mãe dizendo que ia ficar tudo bem. Ela estava chorando.

Algum tempo se passou desde que sai do hospital, na delegacia não fiquei preso nem uma hora, minha mãe logo chegou e pagou minha fiança, estou livre agora.

Mas a liberdade é um privilégio do corpo pois minha mente continua presa ao dia em que visitei José Alberto, uma pessoa tão simples com um nome comum, ele tinha 22 anos e me contaram que ele havia acabado de passar no vestibular que sempre sonhou. "Um jovem brilhante que teve sua vida atropelada por festas sem freio". Era o que estava escrito em sua lápide e agora gravado em minha mente para sempre.